O cérebro que se transforma: o violão do seu Antônio e a ciência que não desiste da gente

Seu Antônio tem setenta e dois anos e resolveu aprender violão. Todo fim de tarde ele se senta na varanda e erra o mesmo acorde, com a paciência de quem já esperou coisa pior na vida. Da calçada, sempre tem alguém que comenta que papagaio velho não aprende a falar. Pois o livro O cérebro que se transforma, do psiquiatra e psicanalista Norman Doidge, existe justamente para desmentir esse ditado. Publicado no Brasil pela Editora Record em 2011, com 420 páginas e o subtítulo Como a neurociência pode curar as pessoas, ele mostra que o cérebro muda sua estrutura e suas funções até o fim da vida.

Durante muito tempo, a ciência tratou o cérebro adulto como uma peça pronta, que só podia se desgastar. Doidge passou anos atrás de pesquisadores que pensavam diferente e de pacientes que provaram que eles tinham razão. O resultado é uma obra que vendeu mais de 1 milhão de exemplares no mundo e foi escolhida pela Dana Foundation como o melhor livro de conhecimento geral sobre o cérebro.

Histórias reais de neuroplasticidade

Logo no começo, o leitor conhece uma mulher que perdeu o equilíbrio por causa do efeito colateral de um remédio. Ela vivia com a sensação de estar sempre caindo, mesmo parada. Então o cientista Paul Bach-y-Rita colocou em sua língua um pequeno aparelho que enviava sinais sobre a posição do corpo. Aos poucos, o cérebro aprendeu a usar o tato no lugar do ouvido interno, e ela voltou a ficar de pé. Parece invenção de romance, mas é ciência.

Depois dela vêm outros personagens que a vida tinha dado como causa perdida. Há uma mulher que nasceu com apenas metade do cérebro e leva uma vida normal, cegos que voltaram a enxergar e pacientes que recuperaram movimentos depois de um derrame. Além disso, o autor conta que os pensamentos podem ativar ou desativar genes e que já existem máquinas capazes de deixar uma pessoa paralisada controlar o computador com a mente.

Só que a plasticidade não trabalha apenas a favor. O mesmo mecanismo que reconstrói caminhos também cimenta os maus hábitos, porque o cérebro reforça aquilo que a gente repete. Por isso o livro passeia por temas bem cotidianos, como amor, atração, gosto, cultura e educação. No fundo, cada um de nós é um pouco aquilo que pratica todos os dias.

Vale a pena ler O cérebro que se transforma?

Vale, desde que o leitor lembre que o original é de 2007 e que a neurociência andou bastante desde então. Em alguns momentos, o otimismo do subtítulo promete mais do que a ciência pode garantir. Ou seja, o livro inspira e abre horizontes, mas não substitui médico, fisioterapeuta nem terapeuta. Quem terminar com vontade de mais pode seguir para O cérebro que cura, continuação lançada pela Record em 2016, com 560 páginas. Nota do Depois da Capa: 4,5 de 5.

E o seu Antônio? Outro dia, no meio da tarde, o acorde finalmente soou limpo. Ele não comemorou nem chamou ninguém, apenas tocou de novo, para ter certeza. Ali na varanda, sem saber, ele estava confirmando cada página de Norman Doidge. Se você também quer ler O cérebro que se transforma, clique no link abaixo e confira o preço atualizado na Amazon.
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Perguntas frequentes sobre O cérebro que se transforma

Quem escreveu O cérebro que se transforma?

Norman Doidge, médico psiquiatra, psicanalista e pesquisador. O livro foi publicado originalmente em 2007, com o título The Brain That Changes Itself.

O que é neuroplasticidade?

É a capacidade do cérebro de modificar sua estrutura e suas funções em resposta a experiências, aprendizados e atividades mentais, inclusive na idade adulta.

Qual editora publica o livro no Brasil?

A Editora Record, que lançou a obra em 2011, com 420 páginas e ISBN 978-85-01-08385-2.

O livro é difícil para quem não é da área?

Não. A linguagem é acessível e o autor explica a ciência por meio de histórias reais de pacientes e pesquisadores.

Existe continuação de O cérebro que se transforma?

Sim. Em O cérebro que cura, publicado pela Record em 2016, Doidge aprofunda o uso da neuroplasticidade no tratamento de doenças.

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